Sem demão


Talvez p'ra deixar de doer ou roer quando nos sentimos impotentes... Talvez p’ra sentirmos a volta do giro torto da linguagem e suas batalhas incessantes contra o horror do mercado, o lirismo que posterga o corpo, a máquina de moer ossos da moral do bem e do mal absoluta em fronteiras relativistas ou dissoluta no estrume universal... Talvez p’ra abraçarmos a nossa complexidade, sem a segurança de um começo ou um ponto final... Talvez p’ra sermos experiência que ata e horizonte que liberta, institui, influi e altera... Talvez por sermos a finitude do indivíduo, a eternidade da matéria, a alma inventada, a inocência roubada entre resistência e briga, vaidade e autoestima no indivíduo cínico sem horizonte d’ espécie... Talvez pelo fascínio disso que entorpece no labirinto do corpo, segrega e se conserva impreciso em nós... Talvez por cantarmos as nossas trevas interiores com cinismo presunçoso... Talvez por vegetarmos insones entre a gravidade fingida e o riso sectário de Brancaleone... Talvez p'ra não morrer...e por... não acreditar em sobrevivência, ...permaneça este incêndio, sem paz, em meu sorriso, sem cumplicidade com hienas, sem vanguardismo autocrático, inconfessável e ensimesmado; ...e sempre estranhe o crítico que se vê fora do cardume e nunca estende a mão!...

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